Para o parlamentar, a matéria, que tratou um processo administrativo público como se fosse uma investigação sem transparência, não passa de uma "grande bobagem, pretensamente jornalística".
Por PT na Câmara
Leia a íntegra da nota:
Uma resposta verdadeira para uma falsa matéria
Surpreendido com a matéria exposta nas páginas da “Revista Isto É” de 18.01.12, tentei entender as razões para tal publicação. Conclui, entristecido e decepcionado, que neste caso não há nobreza jornalística. Ou é falta de conhecimento ou maldade ou a soldo de alguém.
1) Tentar dar ares de “segredo” e “discrição” àquilo que é publico, manuseado por diversas pessoas e protocolado na Procuradoria Geral da Republica é uma tolice. Convenhamos, é um segredo de polichinelo! E mais: falar em “sigilo das conclusões” e que “ate hoje não foi divulgada” é uma farsa. Ora, o que do processo do mensalão ainda não foi divulgado? O que se encaminha em segredo? Grande bobagem, pretensamente jornalística.
2) A chamada da capa é pura ilação. Fala em exclusividade para assunto que é de domínio público. Fala em conclusão para fato ocorrido há mais de um ano. E fala de complicação para mim sem apresentar um único conteúdo convincente e prova concreta de qualquer irregularidade.
3) Fala também de investigação “secreta”. Como secreta se foi publicado no Diário Oficial da Câmara? “Investigação” que foi conduzida por funcionários de carreira, estáveis e independentes. Sigilo? Como? Com o processo correndo simultaneamente no STF, com a imprensa toda ligada, com auditoria simultânea no TCU? Poupe os leitores deste mico!
4) Passada essa patacoada, vamos ver então se na matéria é apresentada alguma irregularidade e onde está escrito que o contrato foi considerado ilegal pela comissão de sindicância.
5) A verdade é que não há nada de irregular. No texto, ao afirmar que: “a sindicância é cautelosa ao fazer acusações e evita atribuir responsabilidades”, os próprios jornalistas desdizem a bobagem apresentada na chamada da matéria de que a investigação revela a “ilegalidade de contratos firmados”. A cautela aqui, seguindo um bom manual de redação, seria não ter escrito este apanhado de baboseiras.
6) Como a matéria não foi feita com o necessário profissionalismo, deixou de informar ao leitor que fui eu que solicitei que o referido contrato fosse auditado. E a verdade que precisa ser esclarecida é que, tanto a auditoria da Câmara como a auditoria e parecer oficial do TCU aprovaram a licitação e a execução do contrato, assim como as contas de minha gestão, provando que não existiram irregularidades.
7) Se tivessem aprofundado a matéria, os jornalistas concluiriam que o próprio TCU e todo o meio publicitário sabem que a subcontratação nos contratos de comunicação é comum. Reparem o exemplo trazido pelos jornalistas. A agência contratou o instituto Vox Populi para a realização de pesquisas. Quer dizer que toda agência que quiser aferir a opinião pública não pode contratar um instituto? Tem que fazer ela própria? Que estultice! E se pesquisassem um pouco mais veriam que de um contrato de mais ou menos R$ 10 milhões, R$ 7,3 milhões foram gastos com veiculação em mídia. Aliás, a própria IstoÉ recebeu R$ 118 mil deste contrato.
8) Capciosamente, a matéria tenta confundir os leitores de que haveria uma condenação política neste episódio. Os jornalistas se investem de juízes para sentenciar uma condenação moral. Fazem propositadamente o jogo eleitoral em favor do PSDB de Osasco. Do ponto de vista jurídico, a própria matéria diz que não há nada de irregular.
9) Ao contrário de uma chamada da matéria, não há nada de controverso em minha trajetória. Estou no meu sétimo mandato, eleito com votações crescentes e sempre no mesmo partido político. Nunca respondi a nenhum processo em minha carreira. Minhas atividades são públicas e estão no meu site. Não me inebriei com o poder, assim como não me abato com este tipo de disputa política.
10) Apresentei recentemente minhas alegações finais no processo que repondo perante o STF. Disponibilizo no meu site (www.joaopaulo.org.br) a todos aqueles que querem ouvir o outro lado antes de julgar não só essa peça jurídica como outras que tratam do tema.
11) Fui julgado e absolvido por ampla maioria do plenário da Câmara dos Deputados. Nas duas últimas eleições fui o deputado federal mais votado do PT de SP. Em 2011, fui eleito presidente da CCJ sem nenhum voto contrário.
12) Respondo com serenidade e confiança na Justiça o processo no STF, convicto de que provei, com fatos e documentos, que não se sustentam juridicamente as denúncias direcionadas ao meu mandato.
13) Encerro expressando a dor de ser acusado daquilo que não devo. Da crueldade de ver uma farsa ser tomada como verdade. Mas ao mesmo tempo ser consolado por manifestações de apoio e de solidariedade que me fortalecem. Com isso fica mais forte a lembrança das palavras do ex-ministro Sepulveda Pertence: “Carnelutti faz uma observação acerca do dramático paradoxo do processo penal: para saber se deve aplicar a pena, é necessário o processo, mas o processo, pelo estigma que acarreta e os constrangimentos que gera já é, em si mesmo, uma pena: assim, com o processo, começa-se por punir aquele de quem se pretende saber se merece ser punido.”
14) Confiando na Justiça e certo de que a Revista Isto É dará o devido espaço para esta resposta, reitero que em meu site podem ser encontradas todos os esclarecimentos sobre este caso.
João Paulo Cunha
Deputado Federal (PT-SP)
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
A tucanagem está desesperada
Responsável pela mais desastrada intervenção já promovida na cracolândia paulistana iniciada no dia 3 pp., considerada unanimemente como uma tragédia, a tucanagem paulista está desesperada, agora buscando responsáveis pelo caos que instalaram na região central de São Paulo, nos bairros da Luz e Santa Ifigênia.
Esta atuação de agora, e mais a anterior do governo José Serra, mera repressão desencadeadas sem um trabalho preventivo, só estão disseminando, criando novas cracolândias por toda a capital. A ação policial-repressiva desencadeada na área terminou se convertendo no centro do debate entre os quatro pré-prefeituráveis tucanos realizado numa universidade da Zona Sul paulistana ontem.
Um deles vinculou o PT à disseminação do crack na capital; outro acusou o governo federal de não prestar assistência do Sistema Único de Saúde (SUS) aos dependentes químicos.
Quem governa o Estado há 30 anos?
Espera um pouco: quem é que governa o Estado a quase 20 anos? Ou há 30, se contado o 1º governo tucano de São Paulo, o de Franco Montoro eleito em 1982, quando eles ainda estavam todos no PMDB? Tem sentido e lógica culpar o PT quando governam o Estado de São Paulo desde 1983?
Sim, porque mesmo os governos Orestes Quércia (1987-1990) e Luiz Antônio Fleury Filho (1991-1994) hoje fazem parte do acervo tucano. Expoentes tucanos como o agora senador Aloysio Nunes Ferreira Filho (PSDB-SP) e Alberto Goldman foram braços direitos, vice-governadores tucanos, o primeiro de Fleury, o segundo de José Serra. Goldman, inclusive foi governador por oito meses em 2010 quando José largou o governo para ser candidato e perder à presidência da República.
Quércia foi eleito pelo governo Montoro e, por sua vez, ao término de sua gestão elegeu Fleury governador. Vejam, há uma linhagem tucana se sucedendo no Estado há 30 anos.
Culpar o governo federal ou o da prefeita da capital Marta Suplicy (2001-2004) é esquecer que José Serra deitou falação sobre o combate às drogas em suas campanhas eleitorais - 2004 para prefeito, 2006 para governador, 2010 para presidente - mas seu governo, os anteriores tucanos, e agora este de Geraldo Alckmin (governador pela 3ª vez) nada fizeram nesses últimos 12 anos com relação ao crack.
José Serra falou da construção de centros que não construiu
José Serra, aliás, na campanha presidencial de 2010 tecia loas ao seu programa de construção de centros de ajuda a dependentes que, ainda no curso da disputa se descobriu que não existiam. Como não existem agora.
É uma das causas apontadas pelos especialistas para considerar um desastre a operação policial na cracolândia - exatamente porque não foi precedida de um trabalho de esclarecimento, prevenção, e construção de centros de apoio e tratamento aos dependentes.
Mesmo assim, os tucanos, autores do desastre, deixam claro que colocarão a questão no centro do debate eleitoral deste ano. É o que indica essa manifestação dos pré-prefeituráveis do PSDB, todos "japoneses" na definição do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, porque são todos parecidos, têm "traço" - ou pouco mais que isso - nas pesquisas eleitorais.
Fonte: Blog do Zé Dirceu
Esta atuação de agora, e mais a anterior do governo José Serra, mera repressão desencadeadas sem um trabalho preventivo, só estão disseminando, criando novas cracolândias por toda a capital. A ação policial-repressiva desencadeada na área terminou se convertendo no centro do debate entre os quatro pré-prefeituráveis tucanos realizado numa universidade da Zona Sul paulistana ontem.
Um deles vinculou o PT à disseminação do crack na capital; outro acusou o governo federal de não prestar assistência do Sistema Único de Saúde (SUS) aos dependentes químicos.
Quem governa o Estado há 30 anos?
Espera um pouco: quem é que governa o Estado a quase 20 anos? Ou há 30, se contado o 1º governo tucano de São Paulo, o de Franco Montoro eleito em 1982, quando eles ainda estavam todos no PMDB? Tem sentido e lógica culpar o PT quando governam o Estado de São Paulo desde 1983?
Sim, porque mesmo os governos Orestes Quércia (1987-1990) e Luiz Antônio Fleury Filho (1991-1994) hoje fazem parte do acervo tucano. Expoentes tucanos como o agora senador Aloysio Nunes Ferreira Filho (PSDB-SP) e Alberto Goldman foram braços direitos, vice-governadores tucanos, o primeiro de Fleury, o segundo de José Serra. Goldman, inclusive foi governador por oito meses em 2010 quando José largou o governo para ser candidato e perder à presidência da República.
Quércia foi eleito pelo governo Montoro e, por sua vez, ao término de sua gestão elegeu Fleury governador. Vejam, há uma linhagem tucana se sucedendo no Estado há 30 anos.
Culpar o governo federal ou o da prefeita da capital Marta Suplicy (2001-2004) é esquecer que José Serra deitou falação sobre o combate às drogas em suas campanhas eleitorais - 2004 para prefeito, 2006 para governador, 2010 para presidente - mas seu governo, os anteriores tucanos, e agora este de Geraldo Alckmin (governador pela 3ª vez) nada fizeram nesses últimos 12 anos com relação ao crack.
José Serra falou da construção de centros que não construiu
José Serra, aliás, na campanha presidencial de 2010 tecia loas ao seu programa de construção de centros de ajuda a dependentes que, ainda no curso da disputa se descobriu que não existiam. Como não existem agora.
É uma das causas apontadas pelos especialistas para considerar um desastre a operação policial na cracolândia - exatamente porque não foi precedida de um trabalho de esclarecimento, prevenção, e construção de centros de apoio e tratamento aos dependentes.
Mesmo assim, os tucanos, autores do desastre, deixam claro que colocarão a questão no centro do debate eleitoral deste ano. É o que indica essa manifestação dos pré-prefeituráveis do PSDB, todos "japoneses" na definição do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, porque são todos parecidos, têm "traço" - ou pouco mais que isso - nas pesquisas eleitorais.
Fonte: Blog do Zé Dirceu
Novo salário mínimo beneficiará 66 milhões de brasileiros
O aumento de 14,13% no salário mínimo vai beneficiar 66 milhões de brasileiros, principalmente nas regiões nordeste e sudeste, de acordo com estimativas do instituto Data Popular, em dados divulgados na segunda-feira 16.
Segundo a pesquisa, a nova classe média receberá 48 bilhões de reais em 2012, ou seja, 75,5% do valor total injetado na economia. As classes D e E, por sua vez, devem ganhar este ano 12 bilhões de reais, o equivalente a todo o montante do Bolsa Família que foi pago em 2011.
“Nossa perspectiva é que grande parte da Classe D seja Classe C já em 2014, enquanto a Classe C estará a um passo de ser extinta”, afirma o instituto.
Ainda conforme a entidade, este aumento na renda dos trabalhadores deve impulsionar a economia – já que a maior parte deste dinheiro deverá ser destinada às compras.
O instituto estima ainda que o acréscimo de 77 reais ao salário mínimo também deve ajudar os cidadãos a quitarem suas dívidas, diminuindo a inadimplência.
Fonte: Carta Capital
Segundo a pesquisa, a nova classe média receberá 48 bilhões de reais em 2012, ou seja, 75,5% do valor total injetado na economia. As classes D e E, por sua vez, devem ganhar este ano 12 bilhões de reais, o equivalente a todo o montante do Bolsa Família que foi pago em 2011.
“Nossa perspectiva é que grande parte da Classe D seja Classe C já em 2014, enquanto a Classe C estará a um passo de ser extinta”, afirma o instituto.
Ainda conforme a entidade, este aumento na renda dos trabalhadores deve impulsionar a economia – já que a maior parte deste dinheiro deverá ser destinada às compras.
O instituto estima ainda que o acréscimo de 77 reais ao salário mínimo também deve ajudar os cidadãos a quitarem suas dívidas, diminuindo a inadimplência.
Fonte: Carta Capital
Presidente do Uruguai se encontra nesta terça com Lula
O presidente do Uruguai, José Pepe Mujica, deve se encontrar nesta terça-feira (17) com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva por volta das 13h, no Hotel Sofitel, no Ibirapuera, zona sul da capital paulista. Antes do encontro, Lula irá ao Hospital Sírio-Libanês para ser submetido a mais uma sessão de radioterapia para o tratamento do câncer na laringe.
Diplomatas uruguaios informaram ontem (16) à Agência Brasil que Pepe Mujica passará apenas algumas horas de hoje no Brasil e na sua agenda o único compromisso é com Lula. O uruguaio e o ex-presidente mantêm uma amizade sólida.
De acordo com assessores, Mujica disse que quer prestar solidariedade a Lula que luta contra o câncer há três meses, quando houve o diagnóstico de tumor maligno. O ex-presidente fez, inicialmente, um tratamento com quimioterapia e agora está na fase de radioterapia.
O ex-presidente optou por revelar em detalhes todos os procedimentos médicos a que vem se submetendo. Ele raspou o cabelo e a barba no começo do tratamento. Bem-humorado, Lula disse que estava se antecipando aos efeitos do tratamento.
Em dezembro do ano passado, Lula concluiu o ciclo da quimioterapia principal. De acordo com a equipe médica que o acompanha, o tumor na laringe, que tinha três centímetros de diâmetro, teve uma redução de 75%.
Fonte: Agência Brasil
Diplomatas uruguaios informaram ontem (16) à Agência Brasil que Pepe Mujica passará apenas algumas horas de hoje no Brasil e na sua agenda o único compromisso é com Lula. O uruguaio e o ex-presidente mantêm uma amizade sólida.
De acordo com assessores, Mujica disse que quer prestar solidariedade a Lula que luta contra o câncer há três meses, quando houve o diagnóstico de tumor maligno. O ex-presidente fez, inicialmente, um tratamento com quimioterapia e agora está na fase de radioterapia.
O ex-presidente optou por revelar em detalhes todos os procedimentos médicos a que vem se submetendo. Ele raspou o cabelo e a barba no começo do tratamento. Bem-humorado, Lula disse que estava se antecipando aos efeitos do tratamento.
Em dezembro do ano passado, Lula concluiu o ciclo da quimioterapia principal. De acordo com a equipe médica que o acompanha, o tumor na laringe, que tinha três centímetros de diâmetro, teve uma redução de 75%.
Fonte: Agência Brasil
3º Fórum de Midia Livre mobiliza comunicação rumo a Porto Alegre
Acontece nos dias 27 e 28 a terceira edição do Fórum de Mídia Livre, promovida pela comunicação brasileira, desta vez com participação internacional. O evento exibe uma pauta que vai bem longe de um debate corporativo entre pequenos meios. Participam organizações chave do movimento de comunicação do país como Centro de Estudos da Midia Alternativa Barão de Itararé, Fórum Nacional pela Democratização da Mídia (FNDC), Intervozes, movimento Blog Prog (blogosfera progressista), revistas Fórum e Viração, Ciranda, entre outros.
O evento será na Casa de Cultura Mário Quintana, espaço acolhedor do centro da cidade de Porto Alegre, que ja foi moradia do poeta gaúcho que deu nome ao lugar, atrairá jornalistas, blogueiros/as, desenvolvedores e usuários de Software Livre e ativistas da comunicação para fazerem juntos o III Fórum de Mídia Livre.
O ambiente será particularmente propício nesses dias. O Fórum compartilhará espaço com o evento "Conexões Globais", dedicado a oficinas e práticas de comunicação com uso de internet, e que falará por meio de painéis e webconferências com indignados e indignadas que mundo afora estão utilizando as redes para mudar regimes, contestar políticas autoritárias e defender direitos e democracia direta.
O Fórum de Midia Livre introduzirá nesse ambiente o debate conceitual e político e as propostas para uma comunicação ra2dicalmente democrática. Nessa terceira edição, promovida pela comunicação brasileira, acena para o direito à comunicação como estruturante dos debates. Para as políticas públicas como condicionantes da regulação, acesso e democratização da mídia. E para a apropriação tecnológica como um dos horizontes imediatos do movimento e também ferramenta de mobilização.
Presença internacional
Mesmo brasileiro, o Fórum de Mídia Livre mostra claramente que internacionalizou seus diálogos. Terá presenças vindas da primavera árabe, para uma ponte com o I Fórum de Mídia Livre no mundo afro-árabe, programado para este primeiro semestre ainda e que será apresentado por Mohamed Legthas, do portal Ejoussour, do Marrocos, ao lado de mídias que atuam na ou sobre a Palestina Ocupada, um estado de Apartheid em pelo séculos XXI.
Os debates terão contribuições de palestrantes da América Latina, que avança em políticas democratizadoras do setor e enfrenta enorme bombardeio dos grandes meios de comunicação. E será também o passo inicial de 2012 rumo ao II Fórum Mundial de Mídia Livre, que ocorrerá em junho deste ano, inserida no calendário da Cúpula dos Povos para a Rio + 20.
A programação geral do III Fórum de Mídia Livre pode ser conferida no site do FML.
Fonte: Ciranda
O evento será na Casa de Cultura Mário Quintana, espaço acolhedor do centro da cidade de Porto Alegre, que ja foi moradia do poeta gaúcho que deu nome ao lugar, atrairá jornalistas, blogueiros/as, desenvolvedores e usuários de Software Livre e ativistas da comunicação para fazerem juntos o III Fórum de Mídia Livre.
O ambiente será particularmente propício nesses dias. O Fórum compartilhará espaço com o evento "Conexões Globais", dedicado a oficinas e práticas de comunicação com uso de internet, e que falará por meio de painéis e webconferências com indignados e indignadas que mundo afora estão utilizando as redes para mudar regimes, contestar políticas autoritárias e defender direitos e democracia direta.
O Fórum de Midia Livre introduzirá nesse ambiente o debate conceitual e político e as propostas para uma comunicação ra2dicalmente democrática. Nessa terceira edição, promovida pela comunicação brasileira, acena para o direito à comunicação como estruturante dos debates. Para as políticas públicas como condicionantes da regulação, acesso e democratização da mídia. E para a apropriação tecnológica como um dos horizontes imediatos do movimento e também ferramenta de mobilização.
Presença internacional
Mesmo brasileiro, o Fórum de Mídia Livre mostra claramente que internacionalizou seus diálogos. Terá presenças vindas da primavera árabe, para uma ponte com o I Fórum de Mídia Livre no mundo afro-árabe, programado para este primeiro semestre ainda e que será apresentado por Mohamed Legthas, do portal Ejoussour, do Marrocos, ao lado de mídias que atuam na ou sobre a Palestina Ocupada, um estado de Apartheid em pelo séculos XXI.
Os debates terão contribuições de palestrantes da América Latina, que avança em políticas democratizadoras do setor e enfrenta enorme bombardeio dos grandes meios de comunicação. E será também o passo inicial de 2012 rumo ao II Fórum Mundial de Mídia Livre, que ocorrerá em junho deste ano, inserida no calendário da Cúpula dos Povos para a Rio + 20.
A programação geral do III Fórum de Mídia Livre pode ser conferida no site do FML.
Fonte: Ciranda
Pérsio Arida e o "pacto das elites"
Eleonora de Lucena tem feito entrevistas memoráveis na Folha de S. Paulo, como esta do Pérsio Arida (a seguir). Para analisar o conteúdo da entrevista, é importante duas precauções.
Por Luís Nassif
Entender as nuances do sistema financeiro. De um lado há os bancos em si, comerciais e de investimentos. De outro, os gestores de recursos – bancos e fundos de investimentos, grande capital propriamente dito.
Com o brilhantismo de sempre, desde o Real Pérsio atua como lobista (no sentido norte-americano, de levantar argumentos a favor) do segundo grupo, dos gestores de recursos e do grande capital.
Essa diferença era nítida desde os tempos do plano Cruzados. André Lara costumava se referir com desprezo aos banqueiros convencionais, em contraposição ao arrojo e modernidade dos novos bancos de investimento.
A política econômica é o exercício de um conjunto de opções. Em uma visão pragmática, podem haver opções favoráveis ao mercado, que sejam boas para a economia e o país; e outras mais intervencionistas, que permitam corrigir falhas de mercado.
Todas as opções propostas por Arida visam beneficiar ou pelo menos minimizar os sacrifícios do lado investidor. Esse papel que se outorgou restringe bastante sua capacidade analítica mas, enfim, faz parte do jogo.
Vamos aos principais pontos da entrevista.
Primeiro, os pontos de concordância:
As análises sobre as economias europeia, norte-americana e chinesa são bastante consistentes.
A posição de que o BNDES não deveria amparar grandes empresas com acesso ao mercado de capitais é perfeitamente lógica.
Os demais pontos:
Porque o país não pode crescer acima de 3,5%
“Porque é muito acima da taxa de crescimento normal, leva a sobreaquecimento, pressão inflacionária excessiva, gargalos de infraestrutura, falta de poupança doméstica. Há inúmeros fatores que fazem com que a economia não possa crescer a 7% ao ano de forma sustentada”.
Há uma discussão recorrente entre economistas sobre o chamado PIB potencial (quanto um país pode crescer sem desorganizar a economia) e também sobre a taxa de juros de equilíbrio (até quanto os juros podem cair sem provocar inflação). Ambas as teses privilegiam a elevação de juros em qualquer hipótese.
A primeira dispara alta de juros a qualquer sinal mínimo de aquecimento. A segunda define um piso para os juros, quando não existe inflação – acenando com ameaça futura de inflação se os juros caírem mais.
A primeira vez que Arida abordou a taxa de juros de equilíbrio da economia, por seus cálculos hoje em dia seria na faixa de 14% (inflação de 6,5% mais 7,5% de taxa de juros), algo sem paralelo em nenhuma outra economia mundial. Chamou de “jabuticaba”, por só acontecer no país. Na verdade, “jabuticaba” era a teoria que tentou desenvolver.
Sobre o PIB potencial e os gargalos da economia
“Na economia brasileira hoje a taxa sustentável de crescimento é algo em torno de 3,5%, 4%. Sustentável no sentido de capaz de manter a inflação sob controle e evitar gargalos maiores nos processos de infraestrutura”.
Gargalo é o processo deflagrador do investimento. No desenvolvimento, a parte mais difícil de construir é a demanda. Dada a demanda, a oferta vem atrás, porque viabiliza os investimentos.
Justamente porque gargalos são provocados por mudança de patamar de consumo. Se tenho uma estrada pouco transitada, a troco de quê vou canalizar investimentos (escassos) para ela. Ao contrário: se uma estrada é bem transitada, há justificativa econômica para o investimento, como demanda para viabilizar PPP (parcerias público-privadas) ou concessões.
A lógica “cabeça de planilha” supõe que, primeiro os países investem (recursos escassos) em infraestrutura, sem dispor de demanda, para aguardar quando a demanda chegar.
Quanto ao PIB potencial, o Secretário Executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, tem trabalhos exemplares desmistificando a lógica de cálculo.
Sobre bancos e investidores
“A estatização de bancos é sempre o último recurso. Mas é melhor estatizar os bancos do que deixar os bancos quebrarem”.
“Toda a crise bancária sistêmica associada a bolhas ou de ativos ou no mercado imobiliário ou no mercado acionário tipicamente põe os governos diante de uma situação difícil. Se pode permitir que os bancos quebrem, o que é um trauma extraordinário para a formação de poupança ao longo do tempo. Ou salvar os bancos. E para salvar os bancos, ou o governo injeta dinheiro ou absorve parte do portfólio podre dos bancos. É sempre melhor a segunda solução do que a primeira. O grande drama da grande recessão, não foi a queda da bolsa de 1929 ou o folclore de alguém que se jogou pela janela. O drama foi a quebra dos bancos”.
Opa, Pérsio estaria saindo de seu papel de lobby dos gestores para assumir a defesa dos bancos? Claro que não:
Se pode salvar os bancos de inúmeras formas diferentes. Penalizando os acionistas dos bancos, que é a forma correta, nem sempre adotada na Europa. Sempre o primeiro a ser penalizado tem que ser o acionista do banco. Mas salvar bancos, não penalizar o credor dos bancos. Penalizar o acionista e não penalizar o credor.
Esta é a lógica que está emperrando as soluções europeias: investidores que aceitaram correr risco, para ganhar taxas absurdas de retorno, seriam poupados das perdas com investimentos malsucedidos.
É a socialização das perdas?, pergunta Eleonora. Claro que é. Mas Pérsio dá uma de Mirian e coloca como centro dos investimentos ... o trabalhador. É evidente que há inúmeras maneiras de defender a pequena poupança de perdas. É só proteger os depósitos até determinado valor – algo que existe até no sistema bancário brasileiro. Mas Pérsio prefere utilizar o trabalhador como biombo para proteger a aplicação do grande especulador:
“Porque o depositante, o trabalhador que tem dinheiro no banco perde a sua poupança, zera. Ou ele pode aumentar a dívida pública, com o que ele socializa a dívida entre a geração atual e as futuras. A dúvida não e socializar a perda ou não: ela vai haver de qualquer forma. É se quem paga é só a geração atual ou se de alguma forma divide o peso do pagamento entre as gerações atual e as futuras. Quando se divide o peso, se aumenta a dívida pública, porque alguém vai ter que pagar isso em algum momento para frente. Não necessariamente o trabalhador de hoje, mas o trabalhador do futuro”.
Sobre ajustes em tempos de crise
Em períodos de crise, lucro, empregos, produção, tudo é afetado.
Há diversas maneiras de atuar sobre a questão, evitando quebradeiras e desemprego:
Medidas tributárias de desoneração fiscal.
Defesa da produção e do emprego interno contra a concorrência internacional.
Flexibilização das leis trabalhistas.
Redução do seguro-desemprego, para reduzir o piso de salário pelo qual o trabalhador estaria disposto a voltar ao mercado.
Cada qual pode ser colocado na balança, com o prato com as vantagens e o outro com as desvantagens. O que Arida faz é considerar apenas o prato que interessa aos interesses que defende. Ou seja, o ajuste exclusivamente através do salário.
Por exemplo.
No caso do seguro-desemprego, em níveis melhores impede a desorganização familiar, preserva níveis mínimos de consumo por família. Na outra ponta, coloca um piso no salário de retorno do trabalhador ao mercado. Persio seleciona só o prato da balança que o favorece.
“Se você tem seguro-desemprego muito generoso, como é o caso da Espanha, é contraproducente, porque torna o desemprego mais rígido. Um país com seguro-desemprego generoso de mais não é melhor do ponto de vista do bem-estar do que um país com seguro-desemprego menos generoso.”
Sobre ajuste fiscal em tempos de crise:
“Mas fazer o ajuste fiscal em si no momento de crise é até bom, porque a sociedade toma consciência da necessidade do ajuste”.
Ou seja, em vez de utilizar a lógica da dona-de-casa no estado – não se pode gastar mais do que se poupa – usa-se a lógica do ajuste fiscal para educar a dona de casa: o ajuste fiscal é importante para dar exemplo à dona de casa. Campeão!
Sobre medidas protecionistas
Por exemplo?
Automóveis. No caso você está protegendo um grupo de multinacionais contra outro grupo de multinacionais. É difícil de entender a racionalidade.
“Emprego no Brasil não seria uma justificativa?
Não, é difícil. As medidas protecionistas como um todo dificilmente tem justificativa. A tendência intervencionista tem que ser contida, porque ela dá uma satisfação imediata e faz um desacerto no longo prazo.
Mas todos os países adotam medidas assim.
Não existe país perfeito no mundo. Quando se faz gestão econômica, você tem que evitar errar. Se outros erram é problema deles.”
No período financista, o mote preferido do mercado para justificar uma medida aparentemente irracional era: “em todo lugar do mundo é assim”.
Agora, quando o mundo caminha para o protecionismo: “Não podemos copiar o erro dos outros”.
Sobre aumento do mínimo e distribuição de renda
“Mas o aumento do mínimo não distribui renda?
Não. Isso provoca pressão inflacionária, de um lado. Aumenta os gastos com inativos da União. Aumenta o gasto público na veia”.
Causa brotoeja, dor de dente, lumbago.... A pergunta era sobre distribuição de renda.
“Então o aumento do salário mínimo não é distribuição de renda?
"Não. A melhor distribuição de renda que o Brasil pode fazer, de um lado, é a ajuda direta aos mais necessitados, com bolsas família”.
O salário mínimo é pago a aposentados de baixa renda. É ajuda direta na veia, tanto quanto o Bolsa Família. Tem baixíssimo impacto na indústria.
Sobre o pacto das elites
“Quando você faz políticas protecionistas, créditos direcionados, quando privilegia determinados grupos, quem está implementando e quem recebe benefícios genuinamente pensam que estão fazendo o bem comum”. (…)
A política de juros, que faz uma enorme transferência de riqueza para os mais ricos, faz parte desse pacto anti-liberal?
Não é que as pessoas são antiliberais para fazer maldades. Tem uma certa mentalidade antiliberal. Acho que até um melhor termo que eu usaria, em vez de pacto antiliberal, uma mentalidade antiliberal. A taxa de juros eu não colocaria nessa linha, embora ela tenha certamente um efeito concentrador de renda. Ela responde a outros fatores” (…).
A taxa de juros não responde à lógica do rentista: responde à teoria econômica isenta. É duro!
Então por que os juros são altos?
O Brasil fez enormes violências contra a poupança financeira ao longo do tempo. Desde a manipulação da correção monetária, chegando ao extremo no Plano Collor. Foi gerada uma certa insegurança e um prêmio de risco associado à poupança financeira. Quanto mais tempo passa sem que você faça nenhuma violência contra poupança financeira, menor o trauma do passado e melhora esse prêmio de risco.
Então tá. Outros argumentos para os juros elevados:
Quando a inflação em alta: para derrubar a inflação.
Quando inflação controlada: porque tem piso para os juros, senão a inflação volta.
Explicação Gustavo Franco: porque a dívida pública é elevada.
Explicação Pérsio: por causa dos planos econômicos de vinte anos atrás.
Sobre os que se beneficiaram do “pacto das elites"
O sr. leu o "Privataria Tucana"?
Não falo sobre isso.
Como está o seu indiciamento na Satiagraha?
Não quero falar sobre isso.
E sobre Daniel Dantas?
Não quero falar sobre isso.
Por Luís Nassif
Entender as nuances do sistema financeiro. De um lado há os bancos em si, comerciais e de investimentos. De outro, os gestores de recursos – bancos e fundos de investimentos, grande capital propriamente dito.
Com o brilhantismo de sempre, desde o Real Pérsio atua como lobista (no sentido norte-americano, de levantar argumentos a favor) do segundo grupo, dos gestores de recursos e do grande capital.
Essa diferença era nítida desde os tempos do plano Cruzados. André Lara costumava se referir com desprezo aos banqueiros convencionais, em contraposição ao arrojo e modernidade dos novos bancos de investimento.
A política econômica é o exercício de um conjunto de opções. Em uma visão pragmática, podem haver opções favoráveis ao mercado, que sejam boas para a economia e o país; e outras mais intervencionistas, que permitam corrigir falhas de mercado.
Todas as opções propostas por Arida visam beneficiar ou pelo menos minimizar os sacrifícios do lado investidor. Esse papel que se outorgou restringe bastante sua capacidade analítica mas, enfim, faz parte do jogo.
Vamos aos principais pontos da entrevista.
Primeiro, os pontos de concordância:
As análises sobre as economias europeia, norte-americana e chinesa são bastante consistentes.
A posição de que o BNDES não deveria amparar grandes empresas com acesso ao mercado de capitais é perfeitamente lógica.
Os demais pontos:
Porque o país não pode crescer acima de 3,5%
“Porque é muito acima da taxa de crescimento normal, leva a sobreaquecimento, pressão inflacionária excessiva, gargalos de infraestrutura, falta de poupança doméstica. Há inúmeros fatores que fazem com que a economia não possa crescer a 7% ao ano de forma sustentada”.
Há uma discussão recorrente entre economistas sobre o chamado PIB potencial (quanto um país pode crescer sem desorganizar a economia) e também sobre a taxa de juros de equilíbrio (até quanto os juros podem cair sem provocar inflação). Ambas as teses privilegiam a elevação de juros em qualquer hipótese.
A primeira dispara alta de juros a qualquer sinal mínimo de aquecimento. A segunda define um piso para os juros, quando não existe inflação – acenando com ameaça futura de inflação se os juros caírem mais.
A primeira vez que Arida abordou a taxa de juros de equilíbrio da economia, por seus cálculos hoje em dia seria na faixa de 14% (inflação de 6,5% mais 7,5% de taxa de juros), algo sem paralelo em nenhuma outra economia mundial. Chamou de “jabuticaba”, por só acontecer no país. Na verdade, “jabuticaba” era a teoria que tentou desenvolver.
Sobre o PIB potencial e os gargalos da economia
“Na economia brasileira hoje a taxa sustentável de crescimento é algo em torno de 3,5%, 4%. Sustentável no sentido de capaz de manter a inflação sob controle e evitar gargalos maiores nos processos de infraestrutura”.
Gargalo é o processo deflagrador do investimento. No desenvolvimento, a parte mais difícil de construir é a demanda. Dada a demanda, a oferta vem atrás, porque viabiliza os investimentos.
Justamente porque gargalos são provocados por mudança de patamar de consumo. Se tenho uma estrada pouco transitada, a troco de quê vou canalizar investimentos (escassos) para ela. Ao contrário: se uma estrada é bem transitada, há justificativa econômica para o investimento, como demanda para viabilizar PPP (parcerias público-privadas) ou concessões.
A lógica “cabeça de planilha” supõe que, primeiro os países investem (recursos escassos) em infraestrutura, sem dispor de demanda, para aguardar quando a demanda chegar.
Quanto ao PIB potencial, o Secretário Executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, tem trabalhos exemplares desmistificando a lógica de cálculo.
Sobre bancos e investidores
“A estatização de bancos é sempre o último recurso. Mas é melhor estatizar os bancos do que deixar os bancos quebrarem”.
“Toda a crise bancária sistêmica associada a bolhas ou de ativos ou no mercado imobiliário ou no mercado acionário tipicamente põe os governos diante de uma situação difícil. Se pode permitir que os bancos quebrem, o que é um trauma extraordinário para a formação de poupança ao longo do tempo. Ou salvar os bancos. E para salvar os bancos, ou o governo injeta dinheiro ou absorve parte do portfólio podre dos bancos. É sempre melhor a segunda solução do que a primeira. O grande drama da grande recessão, não foi a queda da bolsa de 1929 ou o folclore de alguém que se jogou pela janela. O drama foi a quebra dos bancos”.
Opa, Pérsio estaria saindo de seu papel de lobby dos gestores para assumir a defesa dos bancos? Claro que não:
Se pode salvar os bancos de inúmeras formas diferentes. Penalizando os acionistas dos bancos, que é a forma correta, nem sempre adotada na Europa. Sempre o primeiro a ser penalizado tem que ser o acionista do banco. Mas salvar bancos, não penalizar o credor dos bancos. Penalizar o acionista e não penalizar o credor.
Esta é a lógica que está emperrando as soluções europeias: investidores que aceitaram correr risco, para ganhar taxas absurdas de retorno, seriam poupados das perdas com investimentos malsucedidos.
É a socialização das perdas?, pergunta Eleonora. Claro que é. Mas Pérsio dá uma de Mirian e coloca como centro dos investimentos ... o trabalhador. É evidente que há inúmeras maneiras de defender a pequena poupança de perdas. É só proteger os depósitos até determinado valor – algo que existe até no sistema bancário brasileiro. Mas Pérsio prefere utilizar o trabalhador como biombo para proteger a aplicação do grande especulador:
“Porque o depositante, o trabalhador que tem dinheiro no banco perde a sua poupança, zera. Ou ele pode aumentar a dívida pública, com o que ele socializa a dívida entre a geração atual e as futuras. A dúvida não e socializar a perda ou não: ela vai haver de qualquer forma. É se quem paga é só a geração atual ou se de alguma forma divide o peso do pagamento entre as gerações atual e as futuras. Quando se divide o peso, se aumenta a dívida pública, porque alguém vai ter que pagar isso em algum momento para frente. Não necessariamente o trabalhador de hoje, mas o trabalhador do futuro”.
Sobre ajustes em tempos de crise
Em períodos de crise, lucro, empregos, produção, tudo é afetado.
Há diversas maneiras de atuar sobre a questão, evitando quebradeiras e desemprego:
Medidas tributárias de desoneração fiscal.
Defesa da produção e do emprego interno contra a concorrência internacional.
Flexibilização das leis trabalhistas.
Redução do seguro-desemprego, para reduzir o piso de salário pelo qual o trabalhador estaria disposto a voltar ao mercado.
Cada qual pode ser colocado na balança, com o prato com as vantagens e o outro com as desvantagens. O que Arida faz é considerar apenas o prato que interessa aos interesses que defende. Ou seja, o ajuste exclusivamente através do salário.
Por exemplo.
No caso do seguro-desemprego, em níveis melhores impede a desorganização familiar, preserva níveis mínimos de consumo por família. Na outra ponta, coloca um piso no salário de retorno do trabalhador ao mercado. Persio seleciona só o prato da balança que o favorece.
“Se você tem seguro-desemprego muito generoso, como é o caso da Espanha, é contraproducente, porque torna o desemprego mais rígido. Um país com seguro-desemprego generoso de mais não é melhor do ponto de vista do bem-estar do que um país com seguro-desemprego menos generoso.”
Sobre ajuste fiscal em tempos de crise:
“Mas fazer o ajuste fiscal em si no momento de crise é até bom, porque a sociedade toma consciência da necessidade do ajuste”.
Ou seja, em vez de utilizar a lógica da dona-de-casa no estado – não se pode gastar mais do que se poupa – usa-se a lógica do ajuste fiscal para educar a dona de casa: o ajuste fiscal é importante para dar exemplo à dona de casa. Campeão!
Sobre medidas protecionistas
Por exemplo?
Automóveis. No caso você está protegendo um grupo de multinacionais contra outro grupo de multinacionais. É difícil de entender a racionalidade.
“Emprego no Brasil não seria uma justificativa?
Não, é difícil. As medidas protecionistas como um todo dificilmente tem justificativa. A tendência intervencionista tem que ser contida, porque ela dá uma satisfação imediata e faz um desacerto no longo prazo.
Mas todos os países adotam medidas assim.
Não existe país perfeito no mundo. Quando se faz gestão econômica, você tem que evitar errar. Se outros erram é problema deles.”
No período financista, o mote preferido do mercado para justificar uma medida aparentemente irracional era: “em todo lugar do mundo é assim”.
Agora, quando o mundo caminha para o protecionismo: “Não podemos copiar o erro dos outros”.
Sobre aumento do mínimo e distribuição de renda
“Mas o aumento do mínimo não distribui renda?
Não. Isso provoca pressão inflacionária, de um lado. Aumenta os gastos com inativos da União. Aumenta o gasto público na veia”.
Causa brotoeja, dor de dente, lumbago.... A pergunta era sobre distribuição de renda.
“Então o aumento do salário mínimo não é distribuição de renda?
"Não. A melhor distribuição de renda que o Brasil pode fazer, de um lado, é a ajuda direta aos mais necessitados, com bolsas família”.
O salário mínimo é pago a aposentados de baixa renda. É ajuda direta na veia, tanto quanto o Bolsa Família. Tem baixíssimo impacto na indústria.
Sobre o pacto das elites
“Quando você faz políticas protecionistas, créditos direcionados, quando privilegia determinados grupos, quem está implementando e quem recebe benefícios genuinamente pensam que estão fazendo o bem comum”. (…)
A política de juros, que faz uma enorme transferência de riqueza para os mais ricos, faz parte desse pacto anti-liberal?
Não é que as pessoas são antiliberais para fazer maldades. Tem uma certa mentalidade antiliberal. Acho que até um melhor termo que eu usaria, em vez de pacto antiliberal, uma mentalidade antiliberal. A taxa de juros eu não colocaria nessa linha, embora ela tenha certamente um efeito concentrador de renda. Ela responde a outros fatores” (…).
A taxa de juros não responde à lógica do rentista: responde à teoria econômica isenta. É duro!
Então por que os juros são altos?
O Brasil fez enormes violências contra a poupança financeira ao longo do tempo. Desde a manipulação da correção monetária, chegando ao extremo no Plano Collor. Foi gerada uma certa insegurança e um prêmio de risco associado à poupança financeira. Quanto mais tempo passa sem que você faça nenhuma violência contra poupança financeira, menor o trauma do passado e melhora esse prêmio de risco.
Então tá. Outros argumentos para os juros elevados:
Quando a inflação em alta: para derrubar a inflação.
Quando inflação controlada: porque tem piso para os juros, senão a inflação volta.
Explicação Gustavo Franco: porque a dívida pública é elevada.
Explicação Pérsio: por causa dos planos econômicos de vinte anos atrás.
Sobre os que se beneficiaram do “pacto das elites"
O sr. leu o "Privataria Tucana"?
Não falo sobre isso.
Como está o seu indiciamento na Satiagraha?
Não quero falar sobre isso.
E sobre Daniel Dantas?
Não quero falar sobre isso.
BBB: estupro ao vivo não cassa concessão ?
Por Paulo Henrique Amorin - Blog Conversa Fiada
Se o Brasil fosse a Argentina, quem ia ao Projac ter uma conversinha com o Boninho e o Bial – “o amor é lindo !“, disse ele, diante da cena – seriam representantes do Ministro Bernardo e do Zé (clique aqui para saber por que os amigos do Daniel Santas chamam ele de “Zé”).
Do Bernardo, da Comunicação, para estudar a cassação da concessão da Globo para explorar um bem público, o espectro eletro-magnético.
O que diria sobre isso a “Bancada da Globo”, alojada na Comissão de Ciência e Tecnologia, que aprova a renovação de concessões ?
O Zé, da Justiça (?), tinha que ir ao Projac investigar se, de fato, houve, estupro, ao vivo, na tevê brasileira.
Demorou muito: o BBB só podia dar nisso.
Nessa porcaria, como disse o Boni ao Bial.
Agora, se pode ter estupro ao vivo – “não me lembro se fui dormir de shorts, mas acordei sem“- , aí, amigo navegante, pode tudo !
A Globo pode tudo !
O amor é lindo!
Em tempo1:
A Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM) da Ministra Irany Lopes informa: “enviou na tarde desta segunda-feira ofício ao Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro solicitando a tomada de “providências cabíveis” no caso do episódio do programa Big Brother Brasil (BBB12), levado ao ar pela Rede Globo de Televisão, na madrugada deste domingo, 15. O ofício foi elaborado com base em demandas encaminhadas por cidadãs de várias cidades brasileiras à Ouvidoria da SPM, pedindo providências.”
Em tempo 2: clique aqui para ver como a edição do Boninho tentou evitar a cassação da concessão.
Saiu na Folha online:
Polícia e advogados da Globo conversam sobre suposto estupro no “BBB12″
16/01/2012
DO RIO
Policiais da delegacia da Taquara, na zona oeste do Rio, estão neste momento no Projac conversando com o departamento jurídico da Rede Globo.
Segundo o chefe de investigação da 32º DP, o delegado identificado apenas como Maurício foi ao Projac para falar com a BBB Monique e saber se ela foi realmente estuprada pelo modelo Daniel na noite de sábado para domingo.
“A gente abriu uma investigação para apurar o que foi dito pra gente. Se a Monique falar que não houve nada acabou a investigação. O crime de estupro, neste é caso, é possível quando a vítima está inconsciente”, disse o chefe de investigação ao “F5″.
Monique Amin foi chamada agora há pouco no confessionário, onde respondeu perguntas que não puderam ser ouvidas pelo espectadores.
Monique disse que não lembra de nada nem de ter deitado na cama com o Rafa na cama –o suposto estupro teria acontecido quando ela, Daniel e Rafa dividiam a cama.
“Só se ele foi muito mau caráter de ter feito sexo comigo dormindo”, disse Monique.
Ela respondeu ainda com que roupas dormiu. “Não lembro se dormi de shorts, mas acordei sem.”
“Lembro de eu acordando e o Daniel em outra cama”, contou.
Daniel e Monique
O empresário de Monique divulgou uma nota oficial sobre o caso.
Leia a íntegra
“Sobre o ocorrido na madrugada do dia 15 de janeiro após a festa, a família não tem nada mais a comentar sobre o fato, somente a própria Monique Amin pode falar sobre estes episódios e a mesma irá fazê-lo através de nota oficial na sua saída.
Porém lamento muito o comentário postado no Twitter do sr. Sergio Mattos (agente do BBB Daniel) onde o mesmo de forma irônica escreve “e ela geme dormindo?”
Somente num país onde a cultura machista ainda impera, podemos observar comentários inadequados como este.”
Se o Brasil fosse a Argentina, quem ia ao Projac ter uma conversinha com o Boninho e o Bial – “o amor é lindo !“, disse ele, diante da cena – seriam representantes do Ministro Bernardo e do Zé (clique aqui para saber por que os amigos do Daniel Santas chamam ele de “Zé”).
Do Bernardo, da Comunicação, para estudar a cassação da concessão da Globo para explorar um bem público, o espectro eletro-magnético.
O que diria sobre isso a “Bancada da Globo”, alojada na Comissão de Ciência e Tecnologia, que aprova a renovação de concessões ?
O Zé, da Justiça (?), tinha que ir ao Projac investigar se, de fato, houve, estupro, ao vivo, na tevê brasileira.
Demorou muito: o BBB só podia dar nisso.
Nessa porcaria, como disse o Boni ao Bial.
Agora, se pode ter estupro ao vivo – “não me lembro se fui dormir de shorts, mas acordei sem“- , aí, amigo navegante, pode tudo !
A Globo pode tudo !
O amor é lindo!
Em tempo1:
A Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM) da Ministra Irany Lopes informa: “enviou na tarde desta segunda-feira ofício ao Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro solicitando a tomada de “providências cabíveis” no caso do episódio do programa Big Brother Brasil (BBB12), levado ao ar pela Rede Globo de Televisão, na madrugada deste domingo, 15. O ofício foi elaborado com base em demandas encaminhadas por cidadãs de várias cidades brasileiras à Ouvidoria da SPM, pedindo providências.”
Em tempo 2: clique aqui para ver como a edição do Boninho tentou evitar a cassação da concessão.
Saiu na Folha online:
Polícia e advogados da Globo conversam sobre suposto estupro no “BBB12″
16/01/2012
DO RIO
Policiais da delegacia da Taquara, na zona oeste do Rio, estão neste momento no Projac conversando com o departamento jurídico da Rede Globo.
Segundo o chefe de investigação da 32º DP, o delegado identificado apenas como Maurício foi ao Projac para falar com a BBB Monique e saber se ela foi realmente estuprada pelo modelo Daniel na noite de sábado para domingo.
“A gente abriu uma investigação para apurar o que foi dito pra gente. Se a Monique falar que não houve nada acabou a investigação. O crime de estupro, neste é caso, é possível quando a vítima está inconsciente”, disse o chefe de investigação ao “F5″.
Monique Amin foi chamada agora há pouco no confessionário, onde respondeu perguntas que não puderam ser ouvidas pelo espectadores.
Monique disse que não lembra de nada nem de ter deitado na cama com o Rafa na cama –o suposto estupro teria acontecido quando ela, Daniel e Rafa dividiam a cama.
“Só se ele foi muito mau caráter de ter feito sexo comigo dormindo”, disse Monique.
Ela respondeu ainda com que roupas dormiu. “Não lembro se dormi de shorts, mas acordei sem.”
“Lembro de eu acordando e o Daniel em outra cama”, contou.
Daniel e Monique
O empresário de Monique divulgou uma nota oficial sobre o caso.
Leia a íntegra
“Sobre o ocorrido na madrugada do dia 15 de janeiro após a festa, a família não tem nada mais a comentar sobre o fato, somente a própria Monique Amin pode falar sobre estes episódios e a mesma irá fazê-lo através de nota oficial na sua saída.
Porém lamento muito o comentário postado no Twitter do sr. Sergio Mattos (agente do BBB Daniel) onde o mesmo de forma irônica escreve “e ela geme dormindo?”
Somente num país onde a cultura machista ainda impera, podemos observar comentários inadequados como este.”
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